Trás-os-Montes

Trás-os-Montes é a província mais a nordeste de Portugal. Terra de relevo acidentado, com grandes planaltos, Trás-os-Montes é também a província que goza de maior isolamento. Talvez por isso, seja uma das que melhor preserva a sua cultura e tradições. Estende-se entre a serra do Gerês e os planaltos do interior, entre o Douro que corre a Sul e a vizinha Espanha que espreita a Norte e Este. Bragança, Chaves e Lamegosão as principais cidades, não esquecendo Miranda do Douroe Mirandela.

Senhores de uma mesa substancial, os transmontanos continuam a fazer a matança do porco no Inverno para se abastecerem durante o ano. São mestres na confecção de enchidos e fumados, sendo aí que vamos encontrar alguns dos mais famosos do país. E muito mais poderemos encontrar por esta província feita de ‘Terra Quente’ e ‘Terra Fria’: aldeias que ainda guardam um sistema de governo comunitário e um dialecto próprio, formas rudimentares de tratar e tecer a seda e a lã, máscaras que são verdadeiras obras de arte e de misticismo e comemorações que são uma herança rigorosamente perpetuada na tradicional festa dos rapazes. Tudo isso conjugado com a genuína simpatia das gentes e com uma paisagem que alia a cor forte da terra com o verde dos castanheiros e o rosa das amendoeiras em flor.

Artesanato Transmontano

Em Trás-os-Montes ainda é possível encontrar alguns tipos de artesanato únicos no país. Apesar de também ali, as actividades artesanais sofrerem a concorrência de uma sociedade consumista, ainda é possível encontrar quem se dê ao trabalho de criar o bicho da seda para depois lhe tirar o casulo, preparar o fio e tecê-lo em finas colchas de seda natural. Tempos houve em que esta era uma actividade próspera em terras transmontanas. Hoje, porém já só a podemos encontrar em Freixo de Espada à Cinta.

As capas de honra de Constantim, as capuchas de burel do Alto Barrosão e as croças em junco da região de Lamego entre outras, são mais alguns produtos inteiramente produzidos pela mão do homem e que desde tempos antigos servem uma função própria. A olaria negra de Bisalhães e Vilar de Nantes, as flautas e gaitas-de-foles de Miranda do Douro e as tradicionais máscaras transmontanasde Ouzilhão e Lazarim servem objectivos diferentes, que se prendem essencialmente com o aspecto lúdico e cultural.

Arquitectura Tradicional

Casa transmontana

Região fértil em xisto e granito, a zona nordeste de Portugal teve durante tempos uma arquitectura que era ela própria uma continuação da paisagem. Infelizmente já são poucos os locais onde a podemos encontrar nas suas características originais, em parte por influência da emigração. As pessoas melhoraram de vida e passaram a optar pelo betão, perdendo as suas origens e descaracterizando a paisagem.

Na sua origem, a casa típica de Trás-os-Montes é feita de simplicidade e austeridade, não conseguindo disfarçar o peso dos blocos de granito ou das lajes de xisto. Tradicionalmente são casas feitas de pedra solta, com aberturas raras, cobertas às vezes de lousa e às vezes de colmo, com portas e janelas de madeira. O facto de ter rés-do-chão e andar não é por acaso. No rés-do-chão arruma-se a lenha e colocam-se os animais de criação naquilo que chamam ‘lojas’, pois numa região onde o Inverno é bastante rigoroso, os animais ajudam a aquecer o andar que, por sua vez, está reservado à habitação. As casas maiores e normalmente mais isoladas, dispõem também de um curral ou pátio, que fica ao lado ou ao centro da parte térrea, para onde é lançado o estrume dos animais.

A ligar o rés-do-chão ao andar superior surge a escada exterior, que é feita de pedra tosca e que dá acesso à varanda e a um patamar com entrada directa para a cozinha. Esta divisão é, por sua vez, a mais importante da casa transmontana. É bastante escura e cheia de fumo, isto porque não possui chaminé mas apenas telha vã ou telhas erguidas em ângulo ou ainda uma cortiça ligada a um pau que é manipulado do interior para libertar o fumo.

Como normalmente o transmontano é uma pessoa supersticiosa, é natural que se encontre um ramo de arruda pendurado na porta, para evitar o mau olhado.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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