5 Tratamentos para Transtorno de Personalidade Narcisista

Publicado por Equipe Editorial a 19 de julho de 2017 - Atualizado em 1 outubro 2018

Seja no trabalho, na família, ou na festa da noite passada, você reconhece um narcisista, alguém que está muito apaixonado por si mesmo.

Às vezes, esse amor-próprio pode alcançar níveis patológicos, resultando em um transtorno de personalidade chamado transtorno de personalidade narcisista (TPN).

Transtorno De Personalidade Narcisista

Caracterizado por ilusões grandiosas sobre si mesmo, uma constante necessidade de atenção e admiração, além de uma falta de empatia, o TPN pode realmente levar você ao topo da carreira (quem não fica impressionado com alguém confiante?).

Mas as relações interpessoais são um aspecto completamente diferente. Quem gostaria de conviver com pessoas que estão muito ocupadas, admirando a si mesmas?

O Transtorno de personalidade Narcisista pode ser tratado?

Como todos os transtornos de personalidade, o TPN também pode ser controlado, mesmo que a cura plena seja inviável. Alguns casos de TPN podem ser genéticos. Por outro lado, muitos outros exibem uma frágil e ineficiente ligação parental.

Tendo isso em mente, alguns psiquiatras (de Sigmund Freud a Heinz Kohut e Otto F. Kernberg) desenvolveram diversos métodos de tratamento para ajudar pessoas com o respectivo transtorno.

Freud acreditava que os narcisistas eram incapazes de projetar (um termo psiquiátrico para se referir ao redirecionamento inconsciente dos sentimentos de uma pessoa para outra) devido à incapacidade de estabelecerem relações profundas com o objeto.

Essa teoria foi refutada por Kohut e Kernberg por meio de uma intensa pesquisa sobre o assunto.

Eles apresentaram três grandes grupos de tratamentos individuais: psicanálise, psicoterapia/estudo de caso psicanalítico/dinâmico, e estudo de caso/psicoterapia de apoio. (1)

Quais são os desafios do tratamento?

Kernberg admitiu que o tratamento de pacientes de Transtorno de personalidade Narcisista é repleto de desafios e que há narcisistas “quase intratáveis”. (2)

Alguns pacientes de TPN não confiam em seu terapeuta e acham que ir à terapia é algo vergonhoso e humilhante.

O medo da dependência faz com que eles queiram controlar o tratamento por meio de “autoanálises” de seus problemas.

Alguns narcisistas, por outro lado, fazem uma idealização defensiva do terapeuta, tratando-o como “o maior”. Essa idealização costuma se desintegrar e culminar em um desprezo pelo terapeuta.

Esses pacientes também podem “roubar” a linguagem de um terapeuta e usá-la com outros. Devido à personificação e ao direito narcisista, ocasionalmente esses pacientes tentam seduzir o terapeuta — como se fosse parte de um plano para destruir os esforços do terapeuta.

Kernberg observa que pode ser muito difícil curar esses casos extremos da doença.

Tratamentos para casos graves

Pessoas com Transtorno de personalidade Narcisista podem ter dificuldades para reconhecer problemas e vulnerabilidades que, por sua vez, podem dificultar qualquer tipo de terapia.

Igualmente difícil são os casos de TPN que ocorrem paralelamente com outros transtornos psiquiátricos — o que pode aumentar a probabilidade de desistência.

Em muitos casos, os tratamentos utilizados em outros distúrbios de personalidade, como o transtorno de personalidade borderline/limítrofe, também são usados para tratar o TPN. Alguns dos tratamentos eficazes incluem:

Terapia de mentalização

Para pessoas normais (sem transtornos mentais), a mentalização é um processo de compreensão de si mesmo e dos outros bastante simples, no qual os estados e processos mentais de cada indivíduo faz sentido.

Contudo, as pessoas com transtornos de personalidade não têm essa mesma percepção, o que resulta em complicações graves em suas relações interpessoais.

A terapia de mentalização se concentra sobre esse aspecto e utiliza várias intervenções para desenvolver a mentalização dos pacientes. (3)

Psicoterapia focada na transferência

Essa psicoterapia envolve a exploração de um segredo (do mundo interior dos pacientes) para avaliar suas crises de identidade. A terapia tenta promover a integração de identidade.

Logo, o paciente é capaz de levar uma vida normal e melhor. (4)

Psicoterapia focada em esquemas

Essa forma de terapia foca mais as necessidades básicas do paciente e na ativação de emoções. A terapia se apropria de uma série de abordagens cognitivo-comportamentais, experimentais, interpessoais e psicanalíticas para tratamento. (5)

Psicoterapia analítica funcional

As abordagens psicodinâmicas tradicionais voltadas ao Transtorno de personalidade Narcisista se concentram fortemente na projeção.

Na clínica do terapeuta, os problemas comportamentais do paciente são tratados isoladamente, como parte da projeção.

A psicoterapia analítica funcional já é diferente neste ponto. Nela, os comportamentos exibidos pelo paciente durante as sessões são considerados exemplos dos mesmos problemas comportamentais que se manifestam em outros relacionamentos interpessoais.

Assim, a tarefa do terapeuta consiste em descobrir como esses problemas ocorrem, ajustando os comportamentos interpessoais do paciente de um modo mais efetivo. (6)

Terapia comportamental dialética (TCD)

A TCD se concentra na aceitação e mudança dos pacientes. As estratégias de tratamento exploram vários princípios, como os princípios cognitivo-comportamentais voltados à alteração de comportamento.

As estratégias dessa terapia estão vinculadas à emoção do paciente a fim de ajudar o terapeuta a transmitir sua aceitação para o paciente.

Além disso, o tratamento também utiliza princípios budistas para ajudar o paciente a desenvolver uma melhor aceitação de si mesmo, dos outros e da vida em geral. (7)

Independentemente do método de tratamento que estiver sendo usado, tanto o paciente como o terapeuta devem estar cientes de que a psicoterapia leva tempo para mostrar resultados.

Os transtornos de personalidade são particularmente difíceis, com uma boa chance de que os pacientes se frustrem e abandonem a terapia, que para ser eficaz exige paciência e empatia por parte do terapeuta.