Tudo Sobre Diabetes

Tudo Sobre Diabetes – Informação para Diabéticos

A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar ou glicose no sangue. A glicose é a principal fonte de energia do organismo, no entanto o seu excesso pode conferir complicações à saúde.

À quantidade de glicose existente no sangue, chama-se glicémia. Quando ocorre um aumento da glicémia o indivíduo encontra-se em hiperglicémia, do mesmo modo quando ocorre uma diminuição da glicémia o indivíduo encontra-se em hipoglicémia.

Diabetes Tipo 1

A diabetes tipo 1 ocorre quando as células ß do pâncreas deixam de produzir insulina pois existe uma destruição maciça destas células provocada pelo próprio sistema imunitário. Este facto leva a que a glicose não entre nas células e permaneça na corrente sanguínea. Neste tipo de diabetes o indivíduo necessita de terapêutica com insulina para toda a vida porque o pâncreas deixa de a poder produzir. (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, 2008).

Diabetes Tipo 2

Na diabetes tipo 2 o pâncreas é capaz de produzir insulina. No entanto, a alimentação incorrecta e o sedentarismo tornam o organismo resistente à acção da insulina obrigando o pâncreas a trabalhar mais, até que a insulina que produz deixa de ser suficiente. Assim, a insulina não consegue promover a entrada de glicose para as células, levando à sua acumulação na corrente sanguínea e posterior eliminação através da urina.

Este tipo de diabetes relaciona-se directamente com hábitos de vida e de alimentação incorrectos. (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, 2008)

Sintomas da Diabetes

Quando a glicemia se encontra muito elevada (hiperglicemia), podem existir sintomas típicos como a poliúria (urinar em grande quantidade e mais vezes), polidipsia (sede constante e intensa), polifagia (fome constante e difícil de saciar), xerostomia (sensação de boca seca), fadiga, prurido no corpo sobretudo ao nível dos orgãos genitais e visão turva. (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, 2008).

Diagnostico da diabetes

Para diagnosticar a diabetes o médico deverá ter em conta os sinais e sintomas acima referidos, assim como os resultados de análises clínicas elaboradas ao indivíduo. Deste modo será diagnosticada a diabetes se o nível plasmático de glicose em jejum for maior ou igual a 126 mg/dl em duas ocasiões, se o nível plasmático de glicose for maior ou igual a 200 mg/dl duas horas após uma dose de 75g de glicose oral num teste de tolerância à glicose em duas ocasiões, e ainda se o nível plasmático de glicose aleatória for acima de 200 mg/dl e associados a sinais e sintomas típicos de diabetes.

Complicações da Diabetes

A diabetes pode desenvolver várias complicações, quer sejam agudas ou crónicas. Como complicações agudas poderá ocorrer hiperglicemia, que se caracteriza por valores de glicose presentes na corrente sanguínea muito elevados (glicemia capilar superior a 200mg/dl) e hipoglicemia que se caracteriza por valores de glicose presentes na corrente sanguínea baixos (glicemia capilar inferior a 60 mg/dl). (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, 2008).

As complicações crónicas são causadas essencialmente por lesões dos vasos sanguíneos. Quando ocorre lesão dos pequenos vasos sanguíneos pode verificar-se retinopatia diabética (diminui a visão e pode levar à cegueira), nefropatia diabética (pode levar à insuficiência renal) e neuropatia diabética (diminui a sensibilidade nas mãos e nos pés). MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005).

Se estivermos perante uma lesão dos grandes vasos sanguíneos podem ocorrer doenças cardiovasculares, uma vez que existe um risco aumentado de enfartes do miocárdio, tomboses cerebrais e gangrena em pessoas diabéticas. A pessoa pode ainda desenvolver hipertensão arterial.

As complicações tardias da diabetes como a neuropatia periférica, arteriopatia e susceptibilidade às infecções predispõem a pessoa com diabetes para o aparecimento de lesões nos pés que, por vezes podem ser graves, usualmente denominado como pé diabético.

Tratamento da Diabetes

O tratamento da diabetes tipo 2 consiste essencialmente numa alteração nos hábitos de vida. Deste modo, a pessoa deverá ter cuidado com a sua alimentação (o que come e quando come), realizar actividade física diariamente (o exercício regular e até o andar a pé, permitem que o seu organismo aproveite melhor a glicose que tem em circulação). Quando a diabetes não está controlada, apesar da pessoa com Diabetes cumprir estas regras, é necessário fazer o tratamento com terapêutica farmacológica (comprimidos ou insulina).

O tratamento da diabetes tipo 1 engloba igualmente uma alimentação cuidada, a realização de exercício físico, avaliação periódica da glicemia capilar e a administração de insulina.

O objectivo do tratamento é manter a glicose no sangue o mais próximo possível dos valores normais de modo a que a pessoa se sinta bem, isto é, não apresente sintomas, prevenir o desenvolvimento de manifestações tardias da diabetes como retinopatia, nefropatia, neuropatia e doenças cardiovasculares (enfartes do miocárdio e tromboses cerebrais), bem como diminuir o risco das descompensações agudas como a hiperglicémia ou hipoglicemia.

Tratamento da Diabetes Tipo 1

Um diabético pode ter uma vida perfeitamente saudável e sem grandes limitações, sendo, por isso, importante efectuar o tratamento correctamente. O objectivo do tratamento da diabetes é manter o açúcar no sangue dentro ou o mais próximo possível dos valores normais, a fim do diabético não manifestar sintomas, prevenir a manifestação das complicações tardias e diminuir o risco do aparecimento das complicações agudas (hipoglicémia, hiperglicémia e cetoacidose).

O tratamento da diabetes mellitus tipo 1 engloba uma alimentação adaptada, realização de exercício físico regular, insulinoterapia e educação para o auto-controlo e auto-vigilância do diabético, permitindo, ao diabético controlar se o seu nível de açúcar no sangue se encontra elevado ou baixo e, posteriormente, tomar as devidas precauções (Ministério da Saúde, 2005).

Tratamento da Diabetes Tipo 2

Na diabetes do tipo 2 é fundamental que o diabético perceba que o tratamento depende principalmente do próprio, uma vez que implica alterações nos seus hábitos de vida, nomeadamente na alimentação e na quantidade de exercício físico que realiza, sendo muitas vezes o necessário para manter a diabetes controlada. Quando as alterações nos seus hábitos não manifestam resultados pode ser necessário recorrer ao uso de anti-diabéticos orais ou até mesmo da insulina (Ministério da Saúde, 2005).

Insulinoterapia

A insulina é uma hormona hipoglicemiante segregada pelas células beta dos ilhéus de Langerhans do pâncreas, que é usada no tratamento dos doentes diabéticos. Pode ser obtida a partir do pâncreas do porco ou feita quimicamente e de forma idêntica à insulina humana através do uso de tecnologia do X recombinante ou da modificação química da insulina do porco (Ministério da Saúde, 2008).

Na diabetes tipo 1 ou insulinodependente, as células do pâncreas que produzem insulina foram destruídas. Por este motivo o pâncreas produz muito pouca ou nenhuma insulina, e sem ela a vida não é possível. Como o próprio nome indica, a pessoa com diabetes insulinodependente necessita da insulina para viver. A insulina é assim um tratamento imprescindível de substituição. Ainda não foi possível produzir uma forma de insulina que possa ser tomada por via oral visto que ela é destruída no estômago.

Existem diferentes tipos de insulina de acordo com o modo como esta actua no nosso organismo. Depende, então, do seu início de acção (tempo que a insulina demora a actuar depois de injectada); do pico máximo (período de tempo em que a insulina actua com maior actividade) e da sua duração de acção (tempo que a insulina actua no organismo) (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DE DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2008).

De acordo com estas características dispomos de:

✓ Insulina de acção rápida – Insulina regular, simples ou cristalina, com um início de acção 30 a 45 minutos após a sua administração e com um pico máximo de 2 a 4 horas;

✓ Insulina de acção intermédia – Insulina de aparência turva, com um inicio de acção de 1 a 2 horas após a sua administração e com um pico máximo de 4 a 12 horas;

✓ Insulina mista – Insulina com aparência opaca, que é uma combinação de insulina de acção rápida com insulina de acção lenta. Tem um início de acção 30 a 45 minutos após a sua administração e com dois picos. Este tipo de insulina tem uma duração de acção de 24 horas.

A insulina pode ser injectada na região abdominal, coxas, braços e nádegas. A parede abdominal é o local de eleição para uma mais rápida absorção da insulina. Dever-se-á proceder à rotação dos locais de injecção dentro das áreas, de pelo menos 3 cm relativamente à picada anterior, de modo a evitar a formação de nódulos (lipodistrofias) que poderão interferir na absorção da insulina (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

Relativamente à técnica de injecção, a agulha deve atingir a gordura por baixo da pele. A pele deve ser segura entre os dedos, tipo prega e a injecção deve ser executada com a agulha perpendicular à superfície da pele. Se utilizar agulhas curtas (8mm). Deverá fazer um ângulo de 45º no caso de agulhas mais compridas (12mm) ou se não fizer prega.

É preciso ter atenção para evitar dar a injecção muito superficial (intradérmica) mas sim abaixo desta (subcutânea).

O algodão e o álcool são dispensáveis à técnica de injecção, dado que a pele limpa é suficiente (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

O material utilizado para a administração de insulina pode ser seringas de plástico com agulha fixa (podem ser utilizadas enquanto a agulha não ficar romba) ou então as chamadas canetas de insulina (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

A utilização de canetas de insulina tem facilitado a obtenção de um bom controlo glicémico por parte do indivíduo diabético. Existem dois tipos de canetas: as descartáveis e as reutilizáveis. Ambos os tipos funcionam com cartuchos de insulina no seu interior e agulhas próprias, conectadas a uma extremidade da caneta, que são trocadas a cada aplicação. No caso das canetas descartáveis, ao terminar o conteúdo do cartucho, todo o sistema – caneta e cartucho – é desprezado, enquanto que na caneta reutilizável apenas o cartucho de insulina vazio é desprezado. A mecânica simples de funcionamento deste sistema permitiu que a caneta fosse durável, resistindo a múltiplas trocas de cartuchos (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

Todas as canetas apresentam um visor onde as doses de insulina a serem injectadas são seleccionadas; a rotação gradual de um botão, que pode ou não ser acompanhada de um clique, determinará incremento de 0,5 ou 1 unidade da dose.

Vários benefícios do uso de canetas de administração de insulina têm sido reportados quando comparadas às tradicionais seringas e agulhas, quer através de medidas mais subjectivas relacionadas à qualidade de vida dos usuários, quer objectivamente, através de parâmetros laboratoriais (FERREIRA, 2008).

Os frascos de insulina, as cargas instaladas nas canetas e as seringas pré-cheias descartáveis em uso devem ser conservadas à temperatura ambiente (contudo deverão manter-se afastadas da luz solar directa, assim como de locais quentes – porta-luvas do carro, em cima da televisão) (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

Administrar insulina retirada do frigorífico causa uma sensação local desagradável mas, se for mesmo necessário faze-lo, deve-se aquece-la, mantendo contacto da seringa ou caneta com as mãos durante alguns minutos até atingir a temperatura do corpo (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

A insulina é estável a 25º C entre 24 a 36 meses. A insulina que não se encontra em uso deve ser conservada no frigorífico, em local afastado do congelador (Associação Protectora de Diabéticos de Portugal, 2008).

Auto Vigilância

Ter a diabetes controlada é ter níveis de açúcar no sangue dentro de certos limites, níveis estes, que vão depender de vários factores (idade, tipo de vida, actividade, existência de outras doenças). Os valores de açúcar no sangue não são sempre iguais (é normal serem diferentes ao longo do dia e também de dia para dia) e por isso se fala de limites. O facto de se ter agora um valor dentro destes limites não implica que passadas algumas horas não esteja já fora deles.

O melhor modo de saber se uma pessoa com diabetes está controlada é efectuar testes de glicemia capilar (picada no dedo) diariamente e várias vezes ao dia. Se os valores estiverem dentro dos limites, que para aquela pessoa são os indicados, então a diabetes está controlada.

É essencial que o próprio diabético e os seus familiares mais próximos participem na auto-vigilância, de modo a prevenir o aparecimento de desequilíbrios no controlo glicémico e, assim, evitar as descompensações agudas e diminuir os riscos das complicações tardias da diabetes.

Não existem regras rígidas para esta auto-vigilância, esta deve ser individualizada e modificada caso a caso. É, no entanto, imperativo que se torne um hábito de todos os diabéticos.

A monitorização da glicemia capilar (picada no dedo) deve ser feita no bordo lateral da polpa do dedo, com lancetas finas, utilizando dispositivos adequados. Esta deve variar consoante a situação clínica, podendo variar entre 2 a 6 vezes por dia nos diabéticos a fazer insulina, e deve ser, no mínimo, semanal em jejum e após uma refeição no diabético tipo 2 a tomar antidiabéticos orais.

Para que a adesão a este controle seja possível e comece a ser um hábito para o diabético é fundamental criar um compromisso e um acordo entre o utente e o enfermeiro, para que desta forma se transmita a noção de responsabilidade que o utente tem que ter pela sua própria saúde (Ministério da Saúde, 2008).

Alimentação para Diabeticos

É necessário alimentarmo-nos para obter energia para a realização das nossas actividades do dia-a-dia. Mas para tal, passamos por um processo de selecção de alimentos, fruto das preferências, disponibilidades e aprendizagem de cada indivíduo. Na diabetes a alimentação faz parte do seu tratamento, sendo necessário a adesão por parte do diabético a um programa alimentar equilibrado e saudável, semelhante ao indivíduo saudável, mas com algumas particularidades. Para uma alimentação saudável é necessário apostar na variedade, comer um pouco de cada, não sendo necessário abdicar daqueles alimentos menos saudáveis de que tanto se gosta, o importante é que o consumo desses alimentos constitua a excepção e não a regra da alimentação (CANDEIAS, 2005).

Para apostar na diversidade alimentar, é fundamental saber como variar e como escolher, para isso deve-se consultar a seguinte tabela, que indica quais os alimentos que são equivalentes entre si e em que quantidades podem ser substituídos.

Os alimentos que se devem comer em maior quantidade são as hortícolas, frutos, cereais e leguminosas, porque são ricos em fibra, vitaminas, sais minerais e com baixo teor de gordura. É fundamental encontrar um equilíbrio entre a energia que se consome e a que se gasta.

Da degradação dos alimentos vão surgir os nutrientes, sendo eles os hidratos de carbono, gorduras, proteínas, fibras, vitaminas, sais minerais e água. Os três primeiros são os que nos fornecem mais energia, devendo ser ingeridos em menor quantidade principalmente pelos diabéticos, pelo aumento substancial dos níveis de glicemia, especialmente os hidratos de carbono.

Algumas sugestões para diminuir a ingestão energética:

✓Evitar ir às compras quando se tem fome, comer e ir depois;

✓Fazer previamente uma lista do que precisa;

✓Não comer enquanto se vê televisão;

✓Mastigar bem os alimentos, comer devagar;

✓Nos restaurantes optar pela meia dose ou dividir a dose com alguém;

✓Evitar grandes intervalos entre as refeições, apenas de 2 a 3 horas, com menos quantidade de cada vez;

✓Iniciar almoço e jantar com uma sopa de hortaliça e legumes;

✓Fazer as refeições às horas previstas, 6 a 7 por dia (DE ABREU, 1992).

A sopa deve constar nas refeições principais. Pela sua riqueza de hortaliças e modo de confecção, a sopa constitui uma excelente fonte alimentar de água, fibras alimentares, vitaminas e minerais. Devido ao seu poder saciante, é desejável que o almoço e o jantar comecem com uma sopa de legumes e hortaliças, o que ajuda a prevenir os excessos alimentares às refeições principais.

A batata e as leguminosas (feijão, grão, favas) podem ser incluídas desde que em pequenas quantidades e para temperar aconselha-se o azeite após a cozedura.

A sopa também pode constituir um único prato, sendo esta opção útil para uma das refeições principais. Neste caso, deverá ter HC ou ser acompanhada por um pouco de pão (CANDEIAS, 2005).

Como já foi referido anteriormente, os HC são a principal fonte de energia para as actividades diárias do ser humano, sendo importante manter sob controlo a sua quantidade e distribuição ao longo do dia, dado que este é o nutriente que mais afecta os níveis de glicose no sangue (CANDEIAS, 2005).

Este nutriente é dividido em dois grupos, os hidratos de carbono simples e os hidratos de carbono complexos. Os primeiros são constituídos por uma ou duas unidades, sendo por isso absorvidos rapidamente, principalmente quando consumidos isoladamente, o que provoca subidas bruscas da glicose no sangue. São exemplo a glicose, frutose (fruta), galactose, lactose (leite) e sacarose (açúcar comum). Relativamente aos complexos, são no geral absorvidos lentamente, porque são constituídos por muitas unidades e precisam de algum tempo para serem divididos em unidades simples que possam ser absorvidas. São os mais aconselháveis para saciar a fome e fornecer energia de forma regular. Dentro dos HC complexos destacamos o amido existente nos cereais, pão, massa, batata e leguminosas (DGS, 2000).

Existem alguns HC complexos que não são digeridos pelo organismo, como as fibras alimentares (cereais e seus derivados pouco processados (integrais), fruta, hortícolas e leguminosas), que não fornecem energia, mas têm funções importantes para regular e promover o bom estado de saúde, ajudando no bom funcionamento do intestino, reduzindo os níveis de colesterol sanguíneo, contribuindo para regular os níveis de glicemia e promovendo uma sensação de saciedade, o que evita a ingestão exagerada de alimentos e diminui, desta forma, o risco de obesidade.

Os diabéticos devem ingerir HC complexos diariamente, um pouco em cada refeição e os HC simples diariamente, com moderação e com alimentos de absorção lenta. Devem tentar ingerir todos os dias as mesmas quantidades, às mesmas horas.

Os alimentos ricos em açúcar como sumos, bolos, doces, chocolates, compotas, marmelada, mel, rebuçados, frutas cristalizadas e frutas secas aumentam rapidamente a glicemia. Estes alimentos são também geralmente muito energéticos e pobres em vitaminas e sais minerais. Deve-se evitar a ingestão destes alimentos e optar pelas versões com menos açúcar, como por exemplo sumos do tipo light, iogurtes magros sem açúcar ou bolachas simples, sem recheio nem cobertura tipo Maria ou água e sal.

A ingestão dos alimentos ricos em açúcar não deve ser diária nem frequente, mas restrita a ocasiões festivas, e de preferência no final de uma refeição rica em fibras e em substituição de outros alimentos com HC dessa refeição.

Deve-se efectuar uma leitura dos rótulos para a escolha dos alimentos com reduzido teor em açúcares. Sob a designação de açúcares engloba-se por exemplo, a sacarose (vulgar açúcar de mesa), glicose, dextrose, maltose, lactose, frutose, mel e xarope de milho. Contudo, estes alimentos devem ser ingeridos sempre que for necessário corrigir uma hipoglicémia.

Devem-se fazer 6 a 7 refeições por dia, para permitir distribuir pequenas quantidades de hidratos de carbono em cada refeição, evitando grandes subidas das glicemias pós-prandiais, bem como reduzir a resistência à insulina e minimizar os riscos de hipoglicémia (resultante dos grandes intervalos entre as refeições).

Evitar intervalos superiores a 3h entre as refeições, para evitar a fome e, por conseguinte, a ingestão excessiva na refeição seguinte. O ideal será:

1.Pequeno-almoço;

2.Merenda a meio da manhã;

3.Almoço;

4.Merenda a meio da tarde (1 ou 2 dependendo dos horários das pessoas);

5.Jantar;

6.Ceia.

Existem alguns produtos designados “especiais para diabéticos”, estes não são necessários para melhorar o controlo da diabetes, nem é aconselhável que a alimentação se baseie neste tipo de alimentos.

Deve-se verificar o rótulo destes alimentos dado que a maioria pode conter ingredientes que aumentam os níveis de glicemia. Também podem ter um elevado teor de gordura e de calorias, contribuindo para um ganho de peso e agravamento do mau controlo das glicemias.

Não se deve confiar em produtos alimentares cuja composição nutricional é desconhecida (DE ABREU, 1992).

A água é fundamental para a nossa sobrevivência e para a manutenção do nosso estado de saúde. Cerca de 70% do nosso corpo é constituído por água, daí que seja importante não descuidar as quantidades de água que se bebem. A quantidade aconselhada é a suficiente para que a urina seja abundante, clara e inodora (CANDEIAS, 2005).

No que respeita as bebidas alcoólicas, quem não bebe, não precisa de beber, mas quem bebe deve fazê-lo com moderação e a acompanhar as refeições, para evitar o aparecimento de hipoglicémias algumas horas após a ingestão de bebidas alcoólicas.

O álcool fornece elevadas quantidades de calorias e poucos ou nenhuns nutrientes. Quando há excesso de peso, deve-se cortar ou diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas fará com que perca peso (CANDEIAS, 2005).

Para uma boa saúde, as gorduras devem constituir apenas uma pequena parte nas nossas escolhas alimentares, pois estas fornecem muita energia (sob a forma de calorias 1 grama = 9 kcal).

Existem 2 tipos principais de gorduras: as saturadas e as não saturadas. As primeiras estão presentes em alimentos como a manteiga, natas, queijo gordo, leite gordo, os enchidos e as carnes gordas, quando consumidas em grandes quantidades, tendem a aumentar os níveis de colesterol no sangue, podendo conduzir a problemas de saúde, nomeadamente complicações cardiovasculares. As não saturadas, tais como monoinsaturadas e polinsaturadas, são as mais saudáveis, mas ainda assim devem ser consumidas com moderação. São exemplo de polinsaturadas os óleos vegetais (milho, girassol, soja, sésamo) e peixes gordos como a sardinha, o salmão e a cavala. No que respeita as monoinsaturadas temos por exemplo o azeite e o óleo de amendoim (CANDEIAS, 2005).

Recomenda-se a diminuição da ingestão de alimentos ricos em gorduras saturadas e a preferência pelas insaturadas, pela sua acção na prevenção de doenças cardiovasculares.

Para além das referidas anteriormente, existem ainda as gorduras hidrogenadas que, tal como as saturadas, devem ser reduzidas. Estão presentes nos produtos de pastelaria (bolos, folhados) batatas fritas, algumas bolachas e margarinas.

São recomendações para uma alimentação pobre em gorduras:

✓Preferir as carnes magras;

✓Retirar a pele das aves e gordura visível das carnes antes de cozinhar;

✓Consumir peixe com frequência;

✓Preferir azeite para cozinhar e temperar com moderação;

✓ Preferir os cozidos, grelhados e estufados; nos assados evitar os molhos gordos;

✓ Preferir leite e queijo meio gordos ou magros;

✓ Optar por manteiga ou margarina vegetal com baixo teor de gordura;

✓Moderar o consumo de frutos gordos, como nozes e amêndoas (de preferência, não salgados);

✓Se consumir conservas de peixe (ex.: atum, sardinhas, etc), opte por conservas em água ou em molho de tomate;

✓Evitar alimentos, tais como: carnes gordas, charcutaria, caldos de carne, pizas, salgados, folhados, batatas fritas, queijos gordos, bolos, fritos, natas, bolachas com muita gordura, chocolates.

Algumas das consequências do consumo excessivo de gorduras:

✓Aumento do valor energético total consumido, levando ao aumento dos depósitos de gordura corporais, e consequentemente aumento do risco do aparecimento de excesso de peso e obesidade;

✓Aumento do risco do aparecimento de doenças, tais como doenças cerebrais e cardiovasculares, hipertensão arterial, arteriosclerose, colesterol elevado e cancro (cólon, mama, próstata, entre outros);

✓Dificultam o processo digestivo, levando a indisposição e enfartamentos;

✓Dificultam o funcionamento da vesícula biliar, uma vez que é necessária uma quantidade muito superior de secreções biliares;

✓Alteram o funcionamento da flora intestinal e as suas reacções, irritando a parede do cólon, aumentando a exposição deste a agentes potencialmente carcinogénicos e favorecendo o aparecimento de lesões estruturais;

✓Quando sobreaquecidas, decompõem-se, dando origem à formação de substâncias tóxicas e cancerígenas altamente prejudiciais à saúde.

Mas, as gorduras não têm só coisas más, estas são importantes, por exemplo para nos fornecerem ácidos gordos essenciais que o nosso organismo não sintetiza, são o veículo de absorção das vitaminas lipossolúveis, estimulam a secreção da bílis, regulam o trânsito do bolo alimentar e possuem grande capacidade de saciar o apetite, diminuindo a capacidade de alimentos consumidos (Candeias, 2005).

Já desde 2000 a.C. que se usa o sal como forma de preservar carne, peixe, vegetais e para preparar iguarias como azeitonas salgadas que contribuíam de forma importante para uma maior variedade e diversidade da dieta alimentar das populações.

A maioria das pessoas consome mais sal do que realmente necessita. Este excesso vai aumentar o risco de desenvolver hipertensão, e esta pressão arterial não controlada (superior a 130/80mm/hg) potencia o aparecimento de complicações como nefropatia, retinopatia e doença cardiovascular, aumenta o risco do aparecimento de determinados tipos de cancro, provoca uma sobrecarga do funcionamento renal e uma maior retenção de líquidos pelo organismo, levando ao aumento de peso e aparecimento de celulite.

A redução do sal na alimentação contribui para controlar a pressão arterial, reduzindo assim o risco das complicações da diabetes. O ideal é consumir no máximo 5g de sal por dia (OMS, 2005).

A redução do consumo de sal baseia-se na redução do consumo de produtos salgados, tais como (CANDEIAS, 2005):

✓Alimentos pré-confeccionados; produtos de salsicharia/charcutaria; aperitivos salgados, batatas fritas; alimentos enlatados; pikles; caldos de carne; fiambre, bacon e queijo; sopas instantâneas; rissóis, croquetes, chamuças, bolinhos de bacalhau, panados; ketchup, maionese, mostarda, molho de soja; folhados; refeições congeladas prontas a consumir (ex.: pizas, lasanhas, bacalhau à brás, panados de carne, peixe, queijo e/ou fiambre); margarinas, manteiga e outras gorduras para barrar; azeitonas; águas minerais gaseificadas;

✓Moderar a utilização de sal em natureza, substituindo-o por ervas aromáticas (aipo, alecrim, alho, cebolinho, coentros, hortelã, louro, orégãos, salsa.) e especiarias (açafrão, canela, caril, colorau, noz-moscada,) na preparação e confecção dos alimentos.

✓Não levar o saleiro para a mesa;

✓Diminuir gradualmente a quantidade de sal que se utiliza durante a confecção dos alimentos;

✓Procurar deixar a carne e o peixe a marinar, antes de os confeccionar, em vinha de alhos ou com outros temperos sem sal. Deste modo, o sabor e aroma dos temperos adicionados ficarão mais intensos e o resultado final mais saboroso;

✓Enriquecer os cozinhados adicionando-lhes alimentos coloridos como tomate, cenoura, pimento verde, amarelo, vermelho ou laranja, brócolos, milho, feijão, beringela, couve roxa, beterraba, ananás, laranja, maçã etc.

A pratica de actividade fisica regular é fundamental para um estilo de vida saudável. A consciencialização da importância e influência que a actividade física habitual desempenha no desenvolvimento integral das populações contribuíram para a sua saúde e bem-estar social (Serrano, 2003).

3.1. CONSELHOS PARA SE MANTER ACTIVO

A escolha do tipo de exercício a praticar vai depender da idade e condição física. Os indivíduos diabéticos de meia-idade e mais velhos devem ser incentivados a tornarem-se fisicamente activos, pois o processo de envelhecimento leva a uma degeneração dos músculos, ligamentos, ossos e articulações e a inactividade associada à diabetes pode exacerbar o problema.

Para se ser activo não é necessário ser desportista. Uma das formas de aumentar a actividade física, promovendo um estilo de vida mais saudável, é praticar actividades de rotina, tais como (DE ABREU, 1992):

⎫Andar muito mais a pé:

⎫Não esperar por elevadores, usar as escadas;

⎫Levantar-se para regular o som da TV ou do rádio e esconder o telecomando;

⎫Ter brincadeiras ou passatempos activos com os filhos ou netos;

⎫Lavar a roupa, limpar a casa, fazer jardinagem, usar a energia do corpo.

Os indivíduos devem ser instruídos a vigiar a presença de bolhas e outras potenciais lesões nos seus pés, antes e após o exercício. Uma pulseira de identificação da diabetes ou etiqueta no sapato devem ser claramente visíveis durante o exercício. Hidratação adequada também é essencial, uma vez que a desidratação pode afectar a glicémia e, adversamente, a função do coração (Alaiz, 2008).

3.2. BENEFÍCIO DO EXERCÍCIO REGULAR NA SAÚDE DOS DIABÉTICOS

Quando se fala de actividade física deve-se ter em conta para além do funcionamento orgânico do indivíduo, também o seu estado psicológico, porque este também se revela determinante nessa mesma actividade (Vieira e Ramos, 1996).

O exercício regular favorece o organismo, sendo, o primeiro, uma virtude, pois (ABREU, 1992):

⎫Ajuda a prevenir doenças, como a obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares.

⎫É fundamental no tratamento de várias doenças, dado que o aparecimento de muitas delas pode estar relacionado com a falta de exercício;

⎫Melhora a coordenação motora e o equilíbrio;

⎫Melhora a condição física, permitindo realizar melhor as tarefas motoras do dia a dia (ex. subir as escadas sem esforço, ter força para transportar as compras, desfrutar de passatempos desportivos com os amigos);

⎫Tem benefícios psicológicos, intelectuais e sociais:

1.Está provado que não só o exercício regular, como também o maior contacto com o ar livre, o sol e a natureza proporcionados pela prática de exercício, são importantes para a prevenção e tratamento de depressão, ansiedade e stress, tão frequentes hoje em dia;

2.O exercício regular está também associado a uma melhor função intelectual nos indivíduos de mais idade;

3.Há ainda a considerar a integração social que o exercício proporciona aos jovens, adultos e idosos.

⎫Ajuda a controlar o peso.

As pessoas activas com excesso de peso têm melhor saúde e menos complicações cardiovasculares do que as pessoas inactivas com o mesmo peso, o que traduz os benefícios do exercício regular na saúde, independentemente da perda de peso. Isto aplica-se particularmente às pessoas com diabetes.

O melhor exercício é aquele que proporciona maior prazer, porque é aquele que se tem menor probabilidade de abandonar. Tem que se procurar que seja um momento agradável: pela hora do dia, pela natureza ou local onde decorre, pela companhia que eventualmente se partilhe durante esse tempo e, particularmente, pelo gozo que essa actividade proporciona.

Um indivíduo com diabetes, antes de ser diabético, é uma pessoa, portanto, mesmo sem diabetes, já seria de recomendar um estilo de vida activo, dado os múltiplos benefícios do exercício regular. Além disso, nas pessoas com diabetes estão provadas melhorias do bem-estar geral e da capacidade física, resultantes da adopção de um estilo de vida fisicamente activo, dado que o exercício:

⎫Ajuda a controlar a diabetes (baixa a glicemia e normaliza a hemoglobina A1c) – No músculo, a actividade física imita o efeito da insulina, promovendo a passagem da glicose do sangue para as células musculares, que necessitam desta fonte de energia enquanto se exercitam, bem como nas horas seguintes (até 48 a 72h).

⎫Reduz a gordura abdominal – A obesidade, sobretudo a abdominal, está na base da diabetes tipo 2 e de grande parte das suas complicações metabólicas. Por esta razão, caso se tenha gordura abdominal a mais, basta uma perda de 5 a 10% do peso para verificar grandes melhorias no controlo da diabetes, pois esta perda pode corresponder a uma redução de 30% na gordura abdominal.

⎫Diminui as complicações da diabetes – Ao melhorar o controlo da diabetes, dá-se uma redução das complicações tardias. Além disso, os benefícios do exercício regular nos factores de risco cardiovascular assumem particular importância nas pessoas diabéticas, já que os aumentos da pressão arterial, do colesterol e de outras gorduras no sangue são mais frequentes e mais mal tolerados do que nas pessoas sem diabetes. Os diabéticos que praticam exercício regularmente vêem melhorada a sua pressão arterial, bem como o perfil das gorduras do sangue.

⎫Diminui a mortalidade – Os indivíduos mais activos e/ou com melhor condição física têm em média uma vida mais longa.

No seguinte quadro está apresentada a relação entre a actividade física e o tipo de diabetes (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2008).

Relação entre a actividade física e o tipo de diabetes

Diabetes tipo 1

Diabetes tipo 2

A actividade física é aconselhável e útil, porque ajuda ao bom controlo da doença e a prevenir as complicações. Neste caso, a prática de desporto exige um controlo metabólico óptimo e uma adaptação da medicação e da alimentação às horas da prática de exercício.

A actividade física é mandatória e fundamental, porque tem uma acção muito importante na resistência à insulina e na obesidade, que estão na base da diabetes tipo 2.

3.3. RISCOS DO EXERCÍCIO EM PESSOAS COM DIABETES

Algumas complicações da diabetes podem acrescentar riscos à prática de exercício ou serem agravadas por este. Esta interacção negativa pode ocorrer com as seguintes situações (Alaiz, 2008):

⎫Hipoglicémia

A hipoglicémia é o risco mais frequente do exercício nas pessoas diabéticas, medicadas com insulina ou com antidiabeticos orais de um determinado tipo (secretagogos de insulina). Nos indivíduos medicados com medicamentos de outros tipos este risco não se coloca.

Um individuo medicado com sulfonilurais e/ou insulina deve:

1. Saber reconhecer precocemente os sintomas de uma hipoglicémia para tratá-la antes que evolua para uma situação mais grave.

2. Adoptar as seguintes estratégias para evitar as hipoglicémias:

Estratégias a adoptar para prevenir a hipoglicémia durante a prática de exercício

Cuidados a ter

Medidas a tomar:

1. Controlo da glicemia capilar

* Monitorizar a glicemia capilar antes, durante o esforço (se prolongado) e no final (logo após e ao fim de 2h);

* Não praticar, se glicemia <100mg/dl, sem ingerir 20 a 30g de hidratos de carbono.

2. Medidas alimentares especiais

* Adaptar a alimentação às horas do exercício;

* Para esforços ligeiros não são necessárias medidas;

* Para esforços intensivos e prolongados ingerir 40 a 60g/h de hidratos de carbono de absorção rápida, podendo para isso utilizar bebidas desportivas açucaradas;

* Ter açúcar à mão durante o esforço;

* Fazer uma refeição adequada no final do esforço.

3. Praticar com companhia

* Para ser socorrido em tempo útil.

4. Evitar modalidades onde o risco de hipoglicémia pode colocar em perigo o próprio ou as pessoas que o rodeiam

* Evitar desportos monitorizados e com armas de fogo;

* Evitar exercícios praticados em ambientes que dificultam o tratamento da hipoglicémia: montanhismo, alpinismo, mergulho, paraquedismo, asa delta, windsurf, etc..

No exercício aeróbio, caso ocorra uma hipoglicémia, o mais habitual será durante o exercício ou nas duas horas seguintes. No entanto, existem as chamadas hipoglicémias tardias, que podem surgir várias horas depois. As de mais difícil reconhecimento são as nocturnas, que surgem durante o sono, cujo risco é maior quando o exercício foi intenso e teve lugar ao fim da tarde ou à noite.

3.4. MÍNIMOS DIÁRIOS DE EXERCÍCIO

Os mínimos diários de exercício dependem sempre dos objectivos. Para melhorar o controlo da diabetes e a saúde em geral o mínimo diário é:

Se houver excesso de peso, os mínimos passam para o dobro:

Estes são os mínimos dos mínimos. Sem esta dose diária, a diabetes está insuficientemente tratada e o diabético não está a fazer o que está ao seu alcance para prevenir as complicações tardias da doença (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2008).

3.5. DOSES IDEAIS DE EXERCÍCIO PARA A PESSOA COM DIABETES

Partindo do princípio que não há complicações médicas que o impeçam, uma pessoa deve praticar idealmente as seguintes doses de actividade física:

Doses ideais de exercício para a pessoa com diabetes

Actividade física espontânea, inserida num estilo de vida activo

Exercício aeróbio geral moderado (marcha rápida ou outro)

Exercício organizado, um pouco mais intenso, 2 a 4 vezes por semana

Pelo menos

Optar por um estilo de vida activo:

*Caminhar muito;

*Dançar ao fim de semana, não ficar sentado nas festas;

*Aumentar o tempo em pé;

*Levantar-se da cadeira frequentemente, em casa e no trabalho;

*Subir todas as escadas que se possa;

*Fazer jardinagem, agricultura, etc..

*Na praia, optar por passatempos activos.

30 a 60 min de marcha rápida por dia, conforme haja ou não necessidade de perder peso.

2 vezes por semana complemente com exercícios de força (musculação), mesmo que seja em casa sem quaisquer aparelhos (exercícios localizados).

Idealmente

Fazer a marcha de seguida, se necessitar perder peso.

* 3 vezes por semana praticar exercício aeróbio mais intenso, que pode substituir a marcha desse dia;

* Complementar com exercícios de força, usando aparelhos de musculação ou outros pesos, em ginásio, e vezes por semana cada grupo muscular, o que pode implicar 3 a 4 idas semanais ao ginásio:

– 2 sessões de um grupo de músculos, alternando com outras 2 em que trabalha os outros músculos

ou

– 3 sessões semanais em que procura trabalhar maioria dos músculos corporais.

O exercício moderado é de muito baixo risco, podendo ser praticado em ambientes não supervisionados. É aquele que propicia maiores benefícios para a saúde, pelo que deve ser praticado diariamente, excepto nos dias em que se praticar outra actividade mais intensa.

O exercício intenso não é para todos. Nas pessoas com diabetes implica uma avaliação prévia, podendo necessitar de exercício em ambiente supervisionado (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2008).

Pé Diabetico

O pé diabético é uma das complicações da diabetes e é caracterizado por alterações tróficas dos membros inferiores como feridas, infecções, dificuldade de cicatrização, risco de gangrena e artropatias podendo levar á perda do segmento. Na origem do pé diabético encontram-se dois factores: a neuropatia, causada pela diabetes e que é responsável pala diminuição da sensibilidade levando a feridas progressivas sem manifestarem dor; e a insuficiência vascular que dificulta o processo de cicatrização (DUARTE, 2007).

Esta patologia é o principal motivo de ocupação de camas hospitalares por diabéticos e é a responsável por 40 a 60 % de todas as amputações efectuadas por causas não traumáticas (ANDRADE e PEREIRA, 2004).

A identificação do risco da ocorrência de pé diabético é provavelmente o passo mais importante para reduzir o número de amputações provocadas por este. Para este fim Lavery e Gazewood apresentaram uma tabela em que identificaram os principais factores de risco de ulceração e amputação dos membros inferiores em doentes com diabetes, sendo estes: história prévia de úlcera ou amputação, perda da sensibilidade, deformações, doença vascular periférica, pontos de pressão anormais nos pés, hipertensão, hiperlipidémia, hiperglicémia, sexo masculino, tempo de duração da diabetes, idade, retinopatia, diminuição da visão, proteinúria e peso (LAVERY e GAZEWOOD, 2000).

OBSERVAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

Uma atenta, minuciosa e frequente observação dos pés é fundamental para a prevenção de eventuais lesões que podem surgir. Para uma observação mais pormenorizada o pé deve ser dividido em três partes: ante pé, médio pé e retro pé. No ante pé a observação dos dedos deverá incidir em vários aspectos, nomeadamente; a sua forma, pois é frequente encontrar deformações como dedos em gatilho ou em martelo; a mobilidade articular que se pode encontrar diminuída ou aumentada (hipermobilidade articular) podendo também ser encontradas fracturas; as unhas que são muitas vezes afectadas por micoses podendo também apresentarem alterações na sua cor, forma e espessura, chegando por vezes a apresentar exsudado e ainda as pregas interdigitais onde ocorrem frequentemente fissuras. Quanto ao médio pé deve ser investigada a arcada plantar e a existência de flutuação, inspeccionando também os bordos em busca de fissuras e calosidades e pesquisando se a sensibilidade se encontra presente.

Através da observação do médio pé podemos suspeitar de pé plano, pé cavum e ainda diagnosticar fissuras, abcessos plantares e calosidades. O retro pé é uma zona que nem sempre é de fácil acesso, podendo a sua observação ser facilitada com o auxílio de um espelho. A investigação deve incidir na face plantar, na almofada calcânea, na face dorsal, na articulação, no pulso da artéria tibial posterior e no tendão de Aquiles. Podemos encontrar atrofia da almofada calcânea, edema da articulação, osteoartropatia de Charcot e ausência do pulso tibial. Este ultimo é significativo apenas se acompanhado da ausência de pulso pedioso (PEREIRA, 2004).

No seu todo o pé deve ser observado quanto à sua coloração, temperatura e humidade da pele, visto que todas estas características são indicadoras da sua vascularização (PEREIRA, 2004).

Após uma cuidadosa observação do pé podemos passar á sua classificação. Esta baseia-se na presença de dois factores etiopatogénicos: a neuropatia e a vasculopatia diabética (PEREIRA, 2004).

A neuropatia diabética traduz-se a nível do pé em sinais e complicações que se manifestam em fases precoces da instalação da doença. Para o seu diagnóstico deve ser explorada a sensibilidade táctil do pé, recorrendo a um pedaço de algodão; a sensibilidade propioceptiva com o auxílio de um monofilamento; a sensibilidade vibratória explorada através da colocação de um diapasão junto ao maléolo interno e ao halux de cada pé; e ainda a sensibilidade térmica através do contacto com água quente e com gelo (ANDRADE e PEREIRA, 2004).

A vasculopatia tem a sua tradução clínica periférica posteriormente à da neuropatia (PEREIRA, 2004). Para quantificar o défice circulatório dos membros inferiores determina-se a pressão arterial distal efectuando a medição da pressão com o efeito doppler durante a insuflação de uma braçadeira colocada na perna. O registo concomitante da pressão umeral vai permitir a determinação do índice de pressão tornozelo/braço, através da divisão da pressão do tornozelo pela pressão do braço. Este índice, na ausência de doença oclusiva, é igual ou ligeiramente superior a um (DUARTE, 2007).

Segundo os factores etiopatogénicos que foram referidos acima podemos dividir o pé diabético em neuropático e neuroisquémico, podendo ocorrer também, embora com menos frequência, situações de isquémia sem neuropatia (PEREIRA, 2004).

Quanto ás suas características o pé neuropático é quente, não apresenta sensibilidade, mostra relevo venoso, apresenta pele hipertrófica, rosada, seca e desidratada e os pulsos encontram-se presentes. Pode ainda apresentar deformações, hiperpressões e calosidades (PEREIRA, 2004).

O pé neuroisqémico distingue-se por apresentar temperatura fria ou normal, sensibilidade dolorosa, pele atrófica, fina e friável, apresenta palidez quando elevado e pulsos ausentes. Outros sinais de neuroisquémia são também a claudicação/sensação de peso, dor em repouso, isquémia e edema (PEREIRA, 2004).

No que refere ao pé isquémico puro, sem compromisso neuropático, este é normalmente frio, sem deformações, sem ingurgitamento venoso e sem zonas de hiperpressão, apresenta pele friável, sensibilidade mantida e pulsos ausentes (PEREIRA, 2004).

Em suma a observação e a classificação do pé diabético é indispensável para a redução do número de amputações nos diabéticos, tanto por patologia neuropática como neuroisquémica (ANDRADE e PEREIRA, 2004).

ENSINOS

A combinação de complicações tardias da diabetes predispõe ao aparecimento de lesões nos pés dos diabéticos que, dependendo da gravidade das mesmas, pode eventualmente terminar em amputações (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

É importante que o diabético aprenda a proteger os seus pés. Para isso, deve possuir determinados conhecimentos visando uma melhor prestação de cuidados aos mesmos.

Recomenda-se assim o uso de sapatos fechados, com biqueira larga, de tamanho adequado, de cabedal maleável em cima e com a sola rígida, excepto na dobra dos dedos. Estes devem ser comprados no final do dia, altura em que os pés estão mais edemaciados (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

O uso de sapatos abertos não é aconselhado devido à fácil entrada de corpos estranhos, pelo que o diabético deve introduzir sistematicamente a mão dentro do sapato antes de o calçar. Deve evitar andar descalço, mesmo em casa e o uso de meias é obrigatório, até no verão. Preconiza-se que estas sejam de algodão ou de lã em vez de materiais sintéticos, e preferencialmente, brancas (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

Os pés devem ser lavados todos os dias, com sabão neutro e água morna, à temperatura de 35 ºC a 37ºC, podendo a temperatura desta ser avaliada com maior facilidade e rigor utilizando um termómetro. Recomenda-se o uso de um recipiente onde cada pé é colocado separadamente, depois de substituir a água, ou dois recipientes, um para cada pé. Pretende-se assim, evitar a auto contaminação, particularmente a expansão e manutenção das micoses (PEREIRA, 2004).

É importante limpar convenientemente cada pé com uma toalha ou um pano, utilizando uma extremidade da mesma para cada um deles, com especial atenção para as pregas interdigitais, evitando a humidade e consequentemente a maceração da pele e a instalação e manutenção de fungos e bactérias (PEREIRA, 2004).

As calosidades devem ser removidas diariamente com objectos não agressivos, como uma pedra-pomes ou uma lixa. Idealmente este procedimento deve ser realizado após a lavagem e secagem dos pés, quando os tecidos se encontram amolecidos e a remoção facilitada (PEREIRA, 2004). Para evitar o seu reaparecimento é necessário hidratar a pele dos pés (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

As unhas devem ser cortadas periodicamente, ao nível do plano do dedo, não muito curtas, sem arredondar os cantos e preferencialmente utilizando uma tesoura de pontas redondas. É aconselhável também limá-las com uma lima de cartão, o que contraria o seu crescimento e espaça a necessidade de corte (PEREIRA, 2004).

No que diz respeito ao aquecimento dos pés, não se deve recorrer ao uso de botijas ou cobertores eléctricos, mas antes a um cobertor ou meias de lã, tendo também especial atenção a outras fontes de calor como as lareiras ou radiadores (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

Para se conseguir manter os pés saudáveis é fundamental examiná-los diariamente. Antes de deitar, deve-se examinar cuidadosamente os pés (o dorso, a planta e os espaços interdigitais). Se o utente não tiver destreza articular suficiente para ver a planta dos pés deve utilizar um espelho colocado em oblíquo, encostado ao rodapé ou então, pedir ajuda a outra pessoa (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

Perante o aparecimento de uma ferida é aconselhável lavá-la com água e sabão, procurar a causa desta lesão, colocar um penso sem adesivo colado à pele e consultar o médico o mais rapidamente possível (ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL, 2004).

Só uma observação regular e uma permanente vigilância do pé diabético pode evitar as situações de risco.

Ler Também:

Diabéticos – Cuidados com os Pés

Informações que lhe podem ser Úteis:

Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Faça um Comentário
Esta matéria tem 1 Comentário
  1. Anibal Cardoso Reply

    Sou Diabético Tipo II.
    Com a leitura do presente texto, obtive bons conselhos, de como controlar a Glicémia.
    Muito Obrigado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Última atualização da página: 13/01/2018 às 2:47 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)