Viagem Equador
Fotos Antes e Depois

Viagem pelo Equador

Viagem Equador

De volta à Panamericana das ilusões e das paisagens sem fim, deixando Tumbes e o Perú para trás, aproximei-me do país que divide o mundo em dois – O Equador. As cidades de ambos os lados da fronteira, Águas Verdes do lado peruano e Huaquillas do lado equatoriano, são autênticos mercados tax free de ruas labirinticas sujas, mas coloridas, onde tudo e todos compram e vendem, num frenesim endiabrado que faz bombar as artérias que dão vida às cidades. A ponte internacional, que faz a ligação entre estes países é estreita e sobrevoa um rio quase seco. Todavia, no seu leito, um fio de água tenta sobreviver ao lixo e aos esgotos, fugindo desesperadamente até ao mar.

bandeira da República do Equador

Depois de todas as burocracias vencidas e dos papéis carimbados para a obtenção de um visto, avancei rumo à segunda cidade do Equador, Guayaquil. À medida que Huaquillas se perdia no horizonte, perguntava-me o porquê de tanta papelada e carimbos, pois ao fim e ao cabo, e já lá iam alguns quilómetros, nunca os tinha mostrado. Como quase sempre existe uma lógica naquilo que fazemos, as inúmeras barreiras de controlo foram emergindo à medida que as plantações de bananas decoravam a paisagem, ora controlo fronteiriço, ora militar, ou simplesmente por vontade policial para conferir os documentos…ufa, ‘tava tudo OK!

Brasão de armas

O Equador é um país em mudança, desde do ano 2000 adoptou o dólar americano para sua moeda oficial, facilitando as trocas comerciais com o exterior. A cidade portuária de Guayaquil é um bom exemplo dessa metamorfose andina, banhada pelo rio Guayas que desemboca no golfo de Guayaquil. É uma cidade que tenta respirar os ares modernos ocidentais, injectando novas infraestruturas na rotina dos seus habitantes. O seu malecón renovado e as suas favelas transformadas em locais de entretenimento, são o motor do seu plano de regeneração urbana. É singular, perceber que toda esta ascensão urbana vai reformando alguns dos hábitos da cidade, e que os seus habitantes ainda não acostumados a essas andanças, vão-se adaptando à nova urbe que vai brotando a seus pés.

Vulcão Chimborazo, o maior do país.

Viajando por estradas ladeadas por um desfilar de árvores em representação teatral, avistei o monte, que era a minha próxima paragem, mais conhecido como Montecristi. Local onde todas as minhas dúvidas se dissiparam em relação aos famosos chapéus do Panamá! Sim, porque os tão famosos chapéus de palha, elaborados de fibra, de um tipo de palmeira, afinal são originários do do Equador, e os melhores são manufacturados neste monte, perdido na costa central equatoriana. Protegido do Sol com el sombrero de Montecristi, seguindo para norte com o mar como alegre companheiro de viagem, cruzei a famosa linha que parte o mundo a meio, marcada no asfalto de uma estrada que já se esqueceu que ela existe.

Guaiaquil

Excitado por, finalmente, conseguir colocar um pé no hemisfério Norte e outro no Sul ao mesmo tempo, não resisti e brindei a tamanha façanha. Depois de subir 2.850 metros pelas curvas e contra curvas dos Andes, cheguei a Quito, capital do Equador. A cidade encontrase
enclausurada num vale rodeado por majestosas montanhas, estando quase alinhada com a orientação Norte-Sul, com aproximadamente 17 Km de comprimento e 4 km de largura.

Vista do centro de Quito, capital administrativa e financeira do Equador.

Um autêntico lago de casas, segmentado em três zonas: no centro, la ciudad vieja, carregada de igrejas e plazas coloniais protegidas pela estátua de La Virgen de Quito, que se vê desde uma pequena colina ao sul, el panecillo; a norte encontra-se o novo centro de Quito, também conhecido por gringolandia, onde se instalaram os novos negócios, centros comerciais e as vivendas da classe media-alta, que tenta afastar-se do sul da cidade, albergue dos mais pobres.

Cuenca

Preparado para me aventurar pela famosa avenida dos vulcões, trajecto da Panamericana pela cordilheira dos Andes, que liga Quito ao sul, assim conhecido por estar rodeado de inúmeros vulcões de grande altitude, alguns deles ainda em actividade. Tudo não passou de uma cega travessia, pois infelizmente, vulcões só os vi em bonitos postais, tudo isto devido à simpatia do nosso amigo S. Pedro, que nos brindou com uma neblina e chuva, que só desapareceu, quando de novo vi o mar. Muito mau! Para amenizar a triste descida e para ainda tentar visualizar um vulcão em actividade, decidi parar na cidade de Baños, situada no sopé do Tungurahua, conhecida também pelos suas águas termais…vinha mesmo a calhar.

Demografia do Equador

Como normalmente, um mal nunca vem só, Baños tornou-se inalcançável. Apenas a 8 Km de Baños, uma enorme fila de carros surgiu na neblina. Fui informado, que uma derrocada de lava solidificada da última erupção, três meses atrás, obstruía a única via de acesso à cidade. Não queria acreditar no azar que pairava sobre mim, mas confiando nos dizeres que ia escutando dos transeuntes – “…las maquinas estan a trabajar y mañana ya se pasa!”, pernoitei numa aldeia vizinha.

Bem cedo pela manhã, percebi que as máquinas afinal também tinham dormido a noite toda, e que a lava continuava a repousar, sendo apenas incomodada pelos rodados dos jipes 4×4, que ousavam atravessa-la. Para além da neblina, chuva e derrocada, havia um paro, isto é, uma manifestação, que em protesto contra a falta de apoio do governo, decidiu tomar conta das ditas máquinas e cortar a entrada da cidade. O fim! Não conheci Baños, mas convivi com os seus problemas e as dificuldades de um povo, que vive em constante alerta, pois o Tungurahua é um belo monstro, bem acordado.

De volta ao mar e ao Sol, descansei do turbilhão de acontecimentos e já sentindo nostalgia das aventuras andinas, regressei à Europa à boleia de um velhinho boeing 747.
José Farinha

Atualizado em 13 Janeiro 2018

One Comment

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  1. As paisagens são realmente perfeitas……….Quero morar láaaaaaaa S2

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