XXX Congresso Nacional de Gastrenterologia

XXX Congresso Nacional de Gastrenterologia – SPG aposta em informação de qualidade

O XXX Congresso Nacional de Gastrenterologia, Endoscopia Digestiva e Hepatologia realiza-se de 9 a 12 de Junho no Algarve. O presidente do congresso, Hermano Gouveia, revelou que os objectivos do evento passam por abordar as inovações, consolidar saberes e projectar os trabalhos que a Gastrenterologia portuguesa produz.

É essencial “falar nas inovações mas também nas sedimentações, porque é preciso estabelecer consenso em relação às opiniões sobre vários artigos científicos que vão surgindo e que, por vezes, são contraditórios”, afirma Hermano Gouveia.

O XXX Congresso Nacional de Gastrenterologia, Endoscopia Digestiva e Hepatologia está próximo. Que temáticas destaca do programa científico?
Diria que todas as temáticas se destacam porque todas são importantes. Vamos essencialmente falar nas inovações mas também nas sedimentações, porque é preciso estabelecer consenso em relação às opiniões sobre vários artigos científicos que vão surgindo e que, por vezes, são contraditórios.

A formação é também um dos objectivos deste Congresso, por isso fazemos revisões de temas capazes de dar aos internos o “estado da arte” sobre determinados assuntos. Pretendemos assim estabelecer uma ponte entre a inovação, a consolidação dos saberes, as novidades e a projecção dos trabalhos que a Gastrenterologia portuguesa produz e que apresenta neste evento.

Serão apresentadas cerca de 80 comunicações orais, 120 posters, dos quais iremos premiar os de maior interesse, para estimular o mérito dos nossos serviços e especialistas e para que estes compitam saudavelmente. Em relação aos temas, achamos que é incontornável falar nas novas maneiras de abordar o tratamento das hepatites crónicas B e C; o carcinoma hepatocelular, complicação bastante frequente quer dos vírus da hepatite B e C quer da cirrose alcoólica, é um assunto que também vai ser debatido.

Ao nível do fígado, temos uma sessão dedicada aos consensos da hipertensão portal. A problemática de alguns tumores do tubo digestivo também será abordada. Temos ainda conferências sobre o problema das hemorragias digestivas, as doenças inflamatórias intestinais, a doença celíaca, o esófago de Barrett, entre outras.

Que palestrantes destacaria?
Todos os palestrantes estrangeiros e portugueses são importantes. A este respeito, apenas quero destacar que há uma conferência de abertura, a que vou presidir e para a qual convidei o gastrenterologista Carneiro de Moura, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, para partilhar connosco a sua visão sobre a especialidade no presente e no futuro.

Esperam ter muitos participantes?
Esperamos ter 500 participantes, entre gastrenterologistas, cirurgiões, internistas e médicos de Medicina Geral e Familiar, dos quais 150 participarão activamente como oradores, moderadores, júris, etc.

Sendo o ano em que se comemoram os 50 anos da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) como será assinalada a data?
A SPG é das sociedades científicas mais antigas em Portugal. Temos uma cerimónia na sexta-feira, dia 11, em que estarão todos os presidentes vivos e os familiares dos que já nos deixaram por motivos naturais da vida. Isto será importante porque a vida não é só ciência, também temos de saber quem nos antecedeu, saber quem fez com que a SPG tivesse o desenvolvimento que teve.

Será também feita uma exposição sobre o historial dos 50 anos da SPG que inclui, por exemplo, os primeiros artigos publicados, fotos, material endoscópico de museu. Achamos que a SPG deve mostrar aos jovens de onde vem a Gastrenterologia, a origem da Sociedade e quem foram os seus mentores, quem incentivou e quem gastou muitas horas de trabalho para que a SPG atingisse a sua importância actual.

Sendo também vice-presidente da SPG, como avalia a actuação desta sociedade médica. De que forma a SPG contribuiu para uma melhor prática clínica dos gastrenterologistas portugueses?
Temos uma série de iniciativas. Por exemplo, todos os anos publicamos orientações clínicas para os gastrenterologistas e outros médicos. Outras publicações são para o público em geral, distribuídas nos centros de saúde. A SPG possui um Centro de Registo de Dados de Doenças Digestivas (CEREGA), que, contamos, nos dê informações mais fiáveis sobre a incidência em Portugal de algumas doenças digestivas.

A Sociedade tem por objectivo apostar na informação de qualidade para os profissionais gastrenterologistas, internistas, cirurgiões e da Medicina Geral. Há também aquelas informações dirigidas ao público em geral, pois tem de se alertar a população para coisas tão simples como, por exemplo, o que é perder sangue nas fezes e qual o seu significado.

Em relação à especialidade de Gastrenterologia, quais considera serem, actualmente, as principais dificuldades?
Neste momento, o número de profissionais é insuficiente. Há hospitais com poucos gastrenterologistas. São precisos, no mínimo, quatro gastrenterologistas num hospital para tratar de todos os assuntos, porque há intervenções que muitas vezes têm de ser feitas com dois destes profissionais. Em termos de equipamentos, estamos numa situação transitória, temos os standards mínimos, mas não temos muitos equipamentos de ponta. Precisamos de mais equipamento, mas também precisamos de mais treino para isso.

Como a Gastrenterologia é uma especialidade muito dispersa, precisamos de ter pessoas com mais experiência nas várias áreas para depois, em grupo, funcionarmos de modo mais eficaz. O que quer dizer que, se os grupos são pequenos, não podem entrar no detalhe. Tem de existir sub-especializações, como já existe a Hepatologia. É este o grande desafio da Gastrenterologia e isto coloca-nos algumas dificuldades de dominarmos todas as técnicas.

O evento conta receber cerca de 500 participantes, entre gastrenterologistas, cirurgiões, internistas e médicos de Medicina Geral e Familiar.

Considera que há necessidade de definição de mais sub-especialidades e competências nesta área médica?
Competências talvez, mais na área da endoscopia, por exemplo em algumas técnicas que têm de ser feitas muitas vezes por ano para se ter experiência. Algumas competências poderão ter de ser atribuídas, se bem que todos deverão saber fazer as coisas mais importantes do dia-a-dia. E depois funciona quase naturalmente, isto é, um profissional dedica-se mais a um aspecto do que a outro para ganhar mais treino.

Quais as principais causas de internamentos registados nos serviços de Gastrenterologia?
Temos muitas patologias relacionadas com o álcool, não só a hepatite alcoólica como a cirrose hepática e as suas consequências. Temos também as hemorragias digestivas e toda a patologia do cólon, doença inflamatória, que começa a ser bastante prevalente. Depois a patologia tumoral, porque a idade da população é cada vez mais elevada. E, quanto mais idosa for a pessoa, mais probabilidade tem de desenvolver um tumor.

Outra parte dos nossos internamentos vai para uma unidade de cuidados intensivos e inclui, sobretudo, as hemorragias digestivas graves, as pancreatites agudas e falências hepáticas fulminantes.

Como perspectiva o futuro da Gastrenterologia e, em particular, da sua prática em Portugal?
O futuro da Gastrenterologia é um campo sem fim à vista porque os desenvolvimentos vão ser cada vez mais. A patologia digestiva está a aumentar, não temos tido um crescimento de gastrenterologistas capaz de acompanhar esta necessidade. E depois temos outro fenómeno, que é a fuga dos que existem para a área privada.

Não estou preocupado com o futuro da Gastrenterologia no que diz respeito aos jovens que temos, que são excelentes profissionais. No entanto, a tutela tem de pensar como é que os pode fixar, porque as retribuições e sobretudo as condições de trabalho encaminham-nos para outros sítios.

Uma coisa é certa: quem quiser ir para Gastrenterologia não tem de temer o desemprego, pois trata-se de uma especialidade com potencialidade e capacidade de realização profissional muito grande.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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